domingo, 15 de agosto de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

A mão que afaga é a mesma que destrói?

Este é um pensamento velho, xôxo.


Mas digamos que não o seja… (Acho que devemos ter esse mesmo empenho com todos os pensamentos antigos, usados, obsoletos)


Esses dias me peguei pensando… Ao tomar conhecimento de uma obra musical, eu vi que a mesma fora patrocinada por uma grandiosa empresa de Petróleo. Provavelmente é um merecido projeto patrocinado por ser uma obra artística de alto valor cultural para o país. Não tenho dúvidas de que a obra musical citada tenha uma miríade de valores.


O que questiono aqui é o fato de estarmos todos tão amalgamados a um Todo, que, quer queiramos conceituar como ruim ou bom, estamos Nele. A cultura e a sociedade que vivemos é um caro exemplo disso. Como poderíamos conceituar a empresa petrolífera neste caso? Uma empresa de alto valor social, prestativo? Uma seda que cobre e disfarça um mar de terror e descaso para com a sociedade humana? As duas coisas? Nem uma coisa nem outra?


Difícil não? Assim como a maioria das “coisas” da vida, tudo que pegamos como um “objeto” final e de essência última, não conseguimos achar essa essência última. E porque não? Porque essa essência não existe.


No caso parcialmente despido acima, podemos ver o quanto está impresso em nós um “estar no mundo” que não permite totalizações últimas e definições últimas.


Já deixei claro em outros escritos o quanto acho que o mundo é governado não por políticos, mas por grandes empresas. No caso de empresas de petróleo, o caso é muito grave. Pois são elas que mancham (literalmente) o nosso mundo. Essas empresas comandadas por “bípedes”¹, governam a razão dos ambiciosos descabidos, saqueiam a beleza natural, matam ideias possuidoras de potência criadora e agregadora para os humanos. Mas somos tão culpados e coniventes com tudo isso, que é impossível saber o começo e o fim dessa grossa e condensada camada de “lama”. Olhemos nossa “Sombra”. Somos consumidores ou cão-sumidores? Talvez o melhor seja assumirmos nossas dores.



“Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios. Pois elas são os fracassos da humanidade à qual também pertencemos. Assim temos os mesmos fracassos em nós. Não devemos nos indignar com os outros por esses vícios apenas por não aparecerem em nós naquele momento." - Arthur Schopenhauer – trecho de Parerga e Paralipomena

¹
Quem conhece Schopenhauer sabe do que estou falando… rs


poema em papel de pão ; Fy: VCSBDQSTFLND

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Enquanto a Copa não vem...



Este título de post pode até sugerir uma certa dose de ansiedade e vontade de ver o grandioso futebol na Copa do Mundo de 2010. Mas fora o título, não há sopa que possa fazer esse caldo dar certo desta vez em minha cabeça.



Por muitas Copas me rendi e cheguei ao cúmulo – tal qual muita gente – de não perder nenhum jogo do embriagante (no bom sentido) torneio. Mas neste foco não permaneci, e pela primeira vez acho que vou acompanhar com uma deslocada sobriedade, desencantamento, realismo, e… algum saudosismo… Lembro com intensidade de como comemorei o lindo gol do “Careca” na Copa de 86 contra a França (um dos mais bonitos que já tive a oportunidade de ver), em meio a uma tradicional festa na casa de minha Vó. Lembro como no mesmo dia, após a impossível perda de um pênalti por Zico, e após uma derrota sofrida para o maior carrasco do Brasil em copas, saí chutando as cadeiras de plástico coloridas, em meio à insatisfação por um desejo refreado. Mais do que essa “dor” da perda, ficou em minha memória a delícia de ver um dos melhores jogos de futebol, e jogadas de craque.



Me parece que são elas as vilãs. Elas quem, você pode me perguntar… As cadeiras? Não, as jogadas de mestre, as obras vivas de arte. Há quem diz que futebol é poesia… Acredito que sim. Mas ultimamente o que temos visto é uma dissertação chata de como se entediar um cão.



Parecem todos adestrados pela visão racionalista e indesculpável da garantia da vitória. O ser humano tem em seu íntimo um complicado conflito que nada entre a contenção e a liberdade. Vivemos entre esses dois pólos quase que diariamente nas mais diversas e sutis decisões. Já é dia de querermos aposentar esse desconfortável choque interno, mas deste somos parte. Mas um recalque de envergadura se arma no interior do futebol. Uma reprimenda tamanha de algo contra o que eu poderia chamar de um “instinto de brincar”. Tal instinto parece estar sendo reprimido em seus participantes. A arte de jogar bola está ficando totalmente em segundo plano, para estar em consonância com a produtividade. Os torcedores sul-africanos, por exemplo, ficaram consternados em constatar em um dos treinos da seleção brasileira que o Brasil não trouxe Ronaldinho Gaúcho. Eles perguntavam aos jornalistas e se perguntavam quase inocentemente: “Cadê o Ronaldinho?”. Eu também estou até agora perguntando isso, bobo que sou.



Confesso que para escrever essa pequena critica ao futebol atual, me inspirei num cara que sou fã de carteirada (carteirinha ilimitada). Não, não é um jogador de futebol. É um psicanalista e professor, apaixonado por futebol e mitos. David Azoubel. ponto. No seu segundo livro “O Futebol como Linguagem: Da Mitologia à Psicanálise”, o autor faz algo raro, a inserção da linguagem psicanalítica no campo dos esportes, integrando fatos do esporte com a mente e os mitos humanos mais “embrionários” possíveis.



Pensando na repressão dos instintos e na moderna tentativa superegóica técnica de auto-dissolução de uma arte, vou tentar embasar minha tentativa de argumento contra o racional futebol atual, através de uma das mais exuberantes páginas das 300 que compõe o ‘Ensaio’ de David. Diz ele:

Tenho certeza de que se eu afirmasse que existem jogadores que, quando fazem um gol se sentem tão culpados que se retraem e não raramente somem no jogo, isso poderia causar até um certo espanto. Culpa de quê? Por que eles ficam culpados? A resposta mais exata e precisa nos obrigaria a mergulhar no mundo subjetivo dessas pessoas, na estrutura mais íntimas de sua mente e de seus processos ideo-afetivos. Mas já, que é para resumir (às vezes me parece mais condensar), me arriscaria a dizer que é culpa do sucesso. Isso existe mesmo? Existe sim, não é fantasia de psicanalista desocupado. Não gosto de citar exemplos clínicos, mas não resisto à tentação de citar um deles, uma pessoa que conheci, homem de meia idade, competente, brilhante mesmo no exercício de sua profissão, toda vez que era promovido no seu trabalho tinha um acidente grave de carro, um acidente do qual sempre escapava por milagre. É verdade. O inconsciente da gente existe, e há mais de três milhões de anos vem se especializando em brincadeiras de mau gosto e atos, na maioria das vezes, absolutamente ilógicos… A maioria das pessoas sofre de um grave impedimento nas relações com o pai, ou com alguém que represente sua autoridade. Isto acontece em muitos sentidos, tanto de uma forma mais concreta como de acordo com os mais variados modelos. Afinal de contas, uma metáfora nada mais é do que a possibilidade de se fazer variações sobre um mesmo tema. E em todas as culturas o pai é, e sempre foi, uma figura poderosa. Por que teria que ser diferente na hora de jogar futebol? É compreensível que esse relacionamento possa ser transferido para o técnico, para os seus auxiliares e demais autoridades (incluindo os “cartolas”) mais ou menos próximos aos jogadores… A possibilidade de tolerar o sentimento de sucesso sem enlouquecer durante um período de tempo mais prolongado, é um fator significativo para qualquer um de nós, seja qual for o tipo de profissão escolhida.”



Deixo a pergunta aqui: Afinal de contas, quem é o “pai” desse futebol órfão de hoje?




Link da chinelada de Careca em 86 - http://www.youtube.com/watch?v=rLXJtYv2hog

sábado, 8 de maio de 2010

Pena que Foi Ontem


Meu primeiro livro, um Romance em Prosa e Poesia – “Pena que Foi Ontem”, estará sendo lançado dia 22 de maio (sábado) no Templo da Cidadania em Ribeirão Preto . Endereço : R. Conde Afonso Celso, 333. às 20:00 hs.

Mais detalhes no blog:
http://penaquefoiontem.wordpress.com/

Já à venda: contatos por email (email está no blog do livro)

Abrs...

sábado, 24 de abril de 2010

Eis porque sou contra a "chapinha"

“Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.”
Oscar Niemeyer

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nos limites da loucura e da genialidade

Os psicóticos são exemplos clássicos de uma obra inacabada da natureza. Não é um julgamento isto que estou falando, nem um comentário maldoso. Simplesmente fato. Realidade. Realidade conturbada…
E a personalidade psicótica (assim como a esquizofrênica) é datada. Datada, pois é algo para Ser, que não vingou, ou ainda não vingou da maneira essencialmente “natural”. Um tempo primitivo da mente que se desintegrou. É como se os conteúdos do Id, os impulsos inconscientes instintivos, não podendo simbolizar-se, não atingindo satisfação nos momentos de vida mais primevos (na relação com a mãe), perderam o contato com a realidade, e estapearam a camada fina de um ego ainda em formação, e tornaram este ato, um ato quase ilícito, um ato de revolta de impulsos rebeldes.

Essa “rebeldia” inconsciente é algo que se não administrada pelo ego, coagula em loucura, ou se bem direcionada (se é que isso é possível) pode trazer uma superação das insatisfações pulsionais através de atos sublimados, como a arte e a criação em geral. Acredito que a loucura, a genialidade e atos artísticos estão sobremaneira ligados.

O ato artístico tem um porém, que é algo definido como uma transformação de conteúdos instintivos em pulsões que buscam como o objetivo a expressão na arte. É a tal da sublimação, tão pouco explorada por Freud.

Já a loucura vem de expressões do inconsciente, que por algum fator desconhecido (apesar de termos conhecimento de causas “ambientais” e genéticas) irradia todo um jorro de conteúdos sem simbolização para o indivíduo que sofre do mal, e dispersa todo esse excesso de energia psíquica em algo extremamente irreal. Daí vem as ilusões, delírios, alucinações.

Os gênios artísticos do nosso tempo são exemplos de casos de pessoas que chegaram a um ponto em que a loucura, ou algum traço/tipo de loucura, o prazer, e realização artística se fundiram e se confundiram. Exemplos como o de Nietzsche, Beethoven, Virginia Woolf, Salvador Dali, Tchaikovsky… A lista vai longe. Geralmente são pessoas dramáticas (no bom sentido e no mal às vezes), altamente emotivas, e carregadas de sentimentos.

A criatividade está muito ligada ao fato de se lidar com conteúdos advindos do inconsciente, dando a eles uma direção, um objetivo. Já os impulsos que perdem a funcionalidade, se tornam caóticos e ultrapassam sem filtros a barreira de contato que controlaria estes impulsos, ocasionando disfunções no aparelho psíquico.

W.R. Bion, psicanalista e teorizador da psicanálise, definia a barreira de contato como uma “fronteira” que se responsabilizasse por preservar a diferença entre Consciente e Inconsciente, preservando assim o Inconsciente. E da qualidade da barreira dependeria a conversão de elementos do Consciente para o Inconsciente e vice-versa.

Os gênios na maioria das vezes se aproximam perigosamente da loucura, pois há uma convulsão de elementos do inconsciente que atravessam uma certa “barreira” psíquica e vão em direção ao consciente, tomando assim alguma Forma. Quando esses elementos tão atraentes ao psiquismo, mas ao mesmo tempo temidos e rechaçados pelo consciente não tomam uma Forma, possibilitam a existência de “cargas” livres, uma energia, uma libido desvinculada de “objeto” que pode na maioria das vezes causarem “sintomas”.

Essa é a tênue linha pela qual caminham os seres demasiadamente criativos, desviando-se de atropelamentos de impulsos, e atravessados por insights e potências supremas, que se não bem administradas, podem levar à algum tipo leve ou desconjuntado de loucura.

Se de gênios e loucos, todos nós temos um pouco, não saberia dizer, mas os nossos sonhos nos dão uma amostra de toda essa vibração, criação e loucura inconsciente.

Que façamos mais “loucuras” conscientes!

sábado, 27 de março de 2010

Como Sonhar em Mi Bemol

Prepare duas chícaras.
(Uma pra si, outra para o outro si que há em ti)
Chá de ervas herbáceas
Uma leitura de os vassalos só choram à meia-noite.
Aqueça a voz.
Aquela Voz...
Permanente, Onipresente, Pungente.
Veja o Pleonasmo de si na voz passiva...

Trata-se de pegar aquele Fundo Falso, o calabouço que guarda a erupção de um vulcão hibernado e quente, guardado à sete-chaves-perdidas no canto do couração-mente,
E traduzir esses versos estéreis, tornando-os etéreos, em estéreo...

O verbo que solfeja em quartos diminutos,
Falsifica.
Para Sonhar,
sem arritmias, com harmonias, exaltando o que há de Si, o que há de Mi...
Não precisarás
nem de iluminação, nem de farol,
Bem-te-vi. Já estava .

Latente,
o Bemol.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Pela Diminuição da Jornada de Trabalho- Um Grito

Por que se fala tão pouco nisso? É um medo generalizado, ou apenas uma tortura silenciosa corrompendo as mentes?
Tanta parcimônia em se pensar sobre isso sobrevem aos meus sentidos...
E meus sentidos quase me gritam e me guiam como um oráculo que perturba por dizer a verdade. E sendo direto e objetivo, meu simples "Eu" acha que uma mudança de magnitude simples, mas eficaz, como a diminuição da jornada de trabalho, além de alocar mais empregos, faria de nós, provavelmente, seres humanos melhores.
O mundo cercou-se de configurações de trabalho, de cultura, que aprisionaram o ser humano, que aliás, gosta de uma prisãozinha que o "machuque" e o pertube.... Ou você acha que a Segunda-Feira, o Sábado ou o Domingo realmente existem ?
A Terra gira, e minha cabeça também...
Esparramo-me aqui em frente a esta beleza de computador, construído pela inteligência bem instruída da humanidade, e me pergunto: Será que não há outra versão de nós mesmos mais inteligente e criativa do que esta que está por aí e por aqui e por vir?
Quantas vezes você já pensou que não poderia ter mais tempo, para a diversão, para outros afazeres, para a família, enfim, para viver?
O trabalho é fonte de sobrevivência, de altruísmo e de prazer, porque não? Mas tudo em excesso provoca fadiga e tensão...
Na Espanha, eles fazem a "siesta", na Bahia, dizem : "Mais devagar, meu nêgo, hoje é sexta"...
A minha verdade é que trabalhamos demais. Não sobra espaço para uma vida mais saudável e criativa...
Se foi a religião, ou deus, ou algum outro capitalista por aí, que nos deixou o sábado e o domingo de lambuja, não importa... O que importa é duvidar do mundo que criaram para você e por você...


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Aos trabalhadores de verdade:

Bater o Cartão de Ponto x Vida na obra

Bati o Cartão
Às três horas meio dia
Meia-noite ainda era dia

Terremoto facilita o voto
Treme a enxada no chão
Do trabalhador sem roupa
Ser-nada, não-ladrão

Paz como vive aqui...
Visito os pobres
Por trás do vidro-fumê
Do carro empalhado em minha mente pela TV
E os pobres?
Ah
Eles suam nas ruas a carne
Que é pra você ter onde comer

Bati o cartão ao fim-do-dia
Amanhã de novo é Bom-dia!

Trancado e empregado
Não é tão bom...

Mas é como ser
um ser premiado
por poder ver e até escolher
aquilo que muitos nem sonhar
podem acreditar em crer

Posso bater o cartão a vista
E eles? A prazo, a perder de vista?

Digo aos quatro ventos;
(Ventos, pois dizemos
e ninguém ouve, acho que ouvimos cada vez menos):

Cartão de Ponto é fazer hora
Vira dois pontos em uma hora
Unir dois, três, quatro pontos
É pra poucos
Poucos irão morrer por uma Obra.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Budismo Original - Sem Distorções


Como toda religião, o Budismo não passa indiferente às distorções de significados, linguagens, e deturpações por assimilações com outras religiões na história, fato muito comum na história das próprias religiões.

O Budismo inicial, primevo, ditado por Buda, era isento de idolatria a deuses, isento de dogmas. Foi se criando ao longo do tempo uma série de doutrinas a partir de sua morte, distorcendo assim as fontes.

O budismo sempre foi uma mescla de religião e filosofia. Era sim uma filosofia, das mais perfeitas. Mas também não deixava de ser uma religião, pois pretendia a salvação da alma do Homem.


Buda sempre deixou gravado na sua filosofia a verdadeira liberdade, livre dos grilhões que sempre se acumulam no espírito e no pensamento. Dizia ele:


"Não acredite em mim porque sou o seu professor. Não acredite em mim porque os outros acreditam. E também não acredite em nada porque leu num livro. Não coloque sua fé em relatos ou tradição ou rumores ou na autoridade de líderes ou textos religiosos. Não conte com mera lógica ou inferência ou aparências ou especulações. Conheça por você mesmo que certas coisas são prejudiciais e erradas. E quando o fizer, então desista delas. E quando souber por si próprio que certas coisas são benéficas e boas, então as aceite e as siga."


Cabe dizer também que o o budismo original sempre tinha como esmero a libertação do sofrimento durante a vida. E não na extinção dela.

E que a filosofia que mais se aproxima hoje do budismo original é a do Zen.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

domingo, 31 de janeiro de 2010

Namastê Filosófico – A busca pela Verdade


“A Verdadeira filosofia zomba da Filosofia” - Blaise Pascal


Depois de ler o Livro de Simone Regazzoni, que discorria sobre toda Verdade que ele via na famosa série televisiva “Lost”, tive a intensa ideia de falar um pouquinho sobre a tal da Verdade que a Filosofia sempre buscou.


A busca pela Verdade, da verdadeira, íntima, realidade das coisas, do Autógrafo de Deus, sempre foi o fundamental prisma na qual a Filosofia se engajou.

Cabe perguntarmos: O Conhecimento da Verdade (toda) realmente é tão importante? Se respondermos que não, veremos que talvez haja uma espécie de “libertação” a partir de tal ponto.


Vamos partir então da ideia da existência de alguma essência de que poderíamos chamar ou denominar de “Eu”. Submetendo este conceito de “Eu” ao crivo da dúvida metódica clássica filosófica, ou mais precisamente, da filosofia budista, por exemplo, (para saber mais sobre Budismo, vale alguns cliques: http://www.acessoaoinsight.net/ -- http://www.dharmanet.com.br) poderemos chegar à conclusão de que não existe um “Eu” propriamente dito. O que existe, meramente, é um conceito de “Eu”.


Quando alguém, genericamente reconhece em ti algum “Você”, ou exemplificando, alguém traz algum tipo de reconhecimento a um trabalho seu, algum esforço, ou alguma gratidão a você, imediatamente você se sente congratulado ou pelo menos um pouco envaidecido. Não há mal nenhum nisso. O Reconhecimento, o ato de reconhecer ou ser reconhecido por algo é deveras importante. E é importante não porque reconhece algum “Eu” de que você irá se orgulhar; O que está no fundo deste filme é mais profundo. É importante, pois, reconhecer seu “trabalho”.


Reconhecer seu Esforço.
Reconhecer seu Sofrimento para a consecução de algum objetivo.
Reconhecer seu Desejo para sair do “Sofrimento”.


Reconhece assim sua Humanidade por trás de tudo isso. O “Humano” em Você. A Força da vida que te anima. Pois o que arde em você, arde em mim.


Isso tudo reconhece que a “diferença” existente entre dois indivíduos é apenas aparente. Certifica-se através de uma palavra, um gesto, que o Outro é semelhante a você. É como se uma voz falasse: “Agora te reconheço como eu mesmo.” O Reconhecimento é Transcendental.


E onde está a Verdade nisso tudo? Em tudo...


Se esquecermos a ideia de “Verdade”, iremos nos ocupar do “Aqui e Agora”. Sempre irá existir a realidade que está Além. Então apenas cuidemos de nossas plantações e colheitas, de nossos “irmãos”, de nossa casa. Isso de certa forma basta.


Reconheço o deus que há em você. Namastê!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O Luto das Tragédias da Natureza (hO Men) hóminúsculus


Hoje de manhã acordei, abri a janela, olhei no vaso com plantas amassadas pelo vento que sopra sem certezas nem objeções, e reparei que não tinha Poemas para colher.

Sentei amargado junto ao palco da minha sacada e observei o mundo ensacado pelo verão que conspira como se fosse um inverno. Invertidas sensações que não me acolhem, pois não as planto, e em doce pranto que me penteia com retalhos de um esquecido canto, sinto a vertigem de ouvir os ruídos que agora me permeiam em meio ao turbulento ponto de apoio que não sei se tenho.

Ruídos que enrijecem meus miolos e músculos, e me deixam tenso como uma corda sem melodia.

Estou cercado por um mundo torto, desconexo, sem conserto nem concerto.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Namastê Psicanalítico – O Sentimento Oceânico


Com o passar do tempo e decorrer de vida deste blog, fui me distanciando do escopo psicanalítico, no qual era o principal objetivo e exercício de raciocínio deste blog.

Com o intuito de levemente aproximar-nos novamente da Psicanálise, vamos começar por onde terminamos os últimos “posts”: Em direção a uma maior consciência...

Peguemos então nossa jangada e avistemos as ilhas ainda não descobertas...

A ideia da possibilidade de se maximizar a Consciência humana, se Utopia ou não, vem também da própria ideia de Inconsciente, dado lançado de forma inconsciente por filósofos antigos, e de maneira genial e inovadora por Freud.

Somos parte de um Todo...

A Física, a Química, a Espiritualidade em seus diversos “ismos”, a Psicologia, enfim, muitos canais de conhecimento e sabedoria nos falam e flertam com isso.
Uma certa interconexão entre os seres vivos, a “matéria”, a energia, sempre foram alvo de estudos e de elucubrações.

Tal inter-dependência é caracterizada por um “mundo inter-relacionado ; um planeta que é um organismo vivo, onde cada habitante, cada ser está interligado...” - (Fy- http://windmillsbyfy.wordpress.com)...

Mas porque na maioria de nós, humanos, temos o sentimento de estarmos desplugados do mundo a nossa volta? É uma rotineira sensação que nos alcança sob diversas formas...

Apesar disso, acho que tal compreensão de perda de sintonia e de procura de uma volta, está mais perceptível à nossa atenção. E realmente estamos tentando “reperceber” ou reaprender esta interconexão, pois a realidade não tem revestimento.

Não será esse sentimento de eterno despreparo frente ao mundo e sentimento de desconexão, algo advindo de um sintoma ou desequilíbrio neurótico?

O corpo teórico da Psicanálise pode nos oferecer algumas razões a respeito disso.

Freud, no seu famoso livro “O Mal-estar da Civilização”, nos fala a respeito do sentimento oceânico, do qual ele mesmo não sente em si; “Nosso presente sentimento do ego não passa [...] de apenas um mirrado resíduo de um sentimento muito mais inclusivo - na verdade, totalmente abrangente -, que corresponde a um vínculo mais íntimo entre o ego e o mundo que o cerca. Supondo que há muitas pessoas em cuja vida mental esse sentimento primário do ego persistiu em maior ou menor grau, ele existiria nelas ao lado do sentimento do ego mais estrito e mais nitidamente demarcado da maturidade, como uma espécie de correspondente seu. Nesse caso, o conteúdo ideacional a ele apropriado seria exatamente o de ilimitabilidade e o de um vínculo com o universo – [...] o sentimento ‘oceânico’. "

Existem certas condições psíquicas existentes nos indivíduos que são geradas e guiadas por um contorno especial, trazido como se fosse uma memória afetiva dos tempos glórios e inglórios da relação com a mãe, no período compreendido desde o enovelamento narcísico no útero da mãe, até a concepção, a amamentação, o desmame, e todas as outras formas de separações inevitáveis que vão ocorrendo ao longo da vida.
Rompimentos ou vivências que possam ter acontecido de forma demasiadamente abrupta ou com sofrimento (toda separação é um sofrimento), podem acarretar uma série de complicações psíquicas ao humano.

E no decorrer dessas “faltas”, sentidas como perdas irreparáveis, propiciam uma sensação de que se está só, e de que toda relação, como o amor, a amizade, ou a falta dessas, ficam implicadas por esses denominadores que ocorreram na infância constituinte mental e inconsciente do indivíduo.

O ponto que quero tirar de tudo isso é: Talvez estes sentimentos experimentados de separação, angústia, nada mais são que um efeito intrincado de causas longínquas, que estavam presentes em um tempo que não podíamos refletir e digerir bem certos momentos emocionais, e que de alguma forma ficaram eternizados numa certa sensação de mal estar e outras piores, variando com os diversos graus de constituição e genética pessoal, e da formação de cada Inconsciente, único e abundante de significações e simbolismos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Se tivesse um filho, ele seria um “Avatar”...


Se tivesse um filho, ele seria um “Avatar”...

É nesta dimensão que inicio este texto e esta prescrição de Vida. Pois a nossa, no mundo de hoje, está obsoleta.

Para ultrapassar a obsolescência de nosso teatro vital do dia-a-dia, é bom nos atentarmos às mais diversas artes e aos mais diversos estilos de vida, para podermos enxergar um pouco além e ir em direção ao nosso “Eu” verdadeiro e “absoluto”.

O Cinema como arte, talvez seja o modelo mais profícuo para se atingir um grande público mundial “de uma só vez”. E o filme Avatar _ atual modelo mais bem sucedido de uma obra de arte de mais alta tecnologia_ mobiliza uma série de questões fundamentais da modernidade, e tem um poder que ultrapassa as linhas da tela 3D.

Além de ser um divisor de águas da história do cinema, certamente o que ele nos provoca é uma sensação de estarmos participando em conexão com algo grandioso.

Através do uso da própria tecnologia, inerente à própria manufatura do filme, “Avatar” nos comunica, através do que poderia se dizer uma meta-linguagem, sobre as discrepâncias do uso irrestrito de nossa capacidade de “conquistar”, de nossa ambição desenfreada e de desbravar e assim destruir novos territórios...

O cinema ocupava um campo em que, há uns anos atrás, cuidava apenas de passar mensagens de maneira a fortalecer o “equipamento” desgregário do ser humano, principalmente dos americanos, fortalecendo a ideia e a crença de que os americanos eram os mocinhos virgens desamparados e o resto do mundo eram os inimigos nº 1 dos mesmos.

O que vemos hoje é uma possível retratação em relação a essa fonte inicial de manipulação. O Mal que assola hoje a humanidade é muito mais dissolvido e menos visível em suas origens internas, pois está lá, na mente de todos Homens.

É talvez, um modismo, dizer que estamos caminhando a uma maior consciência. A minha impressão é que existe uma pequena parte da humanidade que esteja indo em direção a uma maior consciência.
E parte do que vemos no filme Avatar, é uma sutileza popular em forma de tecnologia em sua mais alta perfeição, que atinge o âmago das questões atuais.

Em um tempo sem precedentes que vivemos, temos o desgosto ou o privilégio de podermos encarar um momento único da história humana. A sua profunda conscientização é praticamente um dever e uma responsabilidade. Ou então, a sua destruição, que já está caminhando a passos largos.

Como vamos participar deste único e talvez último chamado?

Já estamos em um mundo em 3º Dimensão, resta-nos usar a faculdade de pensar, talvez pela primeira vez.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

***LUTO*** - O Haiti é AQUI!


Quando não temos palavras para descrever tamanha tragédia, nem mesmo a quem culpar certamente, resta-nos a dúvida... a dor....