domingo, 15 de novembro de 2009

Geyse e o Feminismo e o Masculinismo


Muito já se falou do caso Geyse e de suas repercussões. As interpretações sobre o fato e sobre qualquer “algo” da Vida consciente ou inconsciente são sempre infinitas.

Márcia Tiburi, filósofa, discorreu suas visões sobre o ocorrido. Na esteira do que ela falou, refleti sobre o assunto, e vou tentar me aproximar de algo que acho que tem um certo frescor. Para resumir, ela disse, comentando sobre o caso, que naquela universidade em que os fatos se desenrolaram, o que havia era uma espécie de rivalidade que se escondia por trás das ações dos “homens” presentes lá. Concordo com ela. A maneira que a garota estava vestida, com uma roupa extremamente sensual, era de alguma forma perturbadora para eles. Era o desejo inconfesso de “ser ela”. Era uma inveja latente do poder sensual feminino frente aos homens e às pessoas em geral.

Pensando um pouco além, o movimento feminista, a meu ver, sempre traçou um modelo de feminilidade de certa forma masculino, reclamando elas para si o direito de ter o que já é de fato da mulher: o lado masculino de sua personalidade. É certo que houve um certo exagero em tal movimentação, mas elas conseguiram externar o que já era algo que existia no íntimo feminino.

Os homens e sua masculinidade sempre foram perturbados e conflitados com seu desejo e com sua sensibilidade. Sempre com um certo pudor de demonstrar o lado feminino ou “sensível” de sua personalidade, que também é inerente ao ser Homem.

Para encontrar pistas do que eu estou tentando digerir, podemos pesquisar um pouco Freud, que nos fala sobre as vicissitudes e às voltas do Complexo Edípico, mais precisamente na Fase de Latência, onde o homem durante este período, está em fase de elaboração inconsciente das estruturas de relacionamento erótico ( as formas como iremos nos relacionar ). Um grande complexo em massa poderia estar girando na mente daqueles “Kids” na universidade.

Mais pistas são encontradas ao revisitar Jung. Na psique masculina, segundo ele, existe um fator, uma estrutura virtual inconsciente, que vem do inconsciente coletivo, dita procedente da imagem da mulher. Esse conceito, denomina ele ser a Anima. É como se fosse uma predisposição subjetiva em sua psique. Precisamente diz Jung, em seu livro “O Eu e o Inconsciente”: “Em última instância, consiste numa estrutura psíquica inata, que permite ao homem ter tais experiências. Assim, todo o ser do homem, corporal e espiritualmente, já pressupõe o da mulher. Seu sistema está orientado a priori para ela, do mesmo modo que para um mundo bem definido, em que há água, luz, ar, sal, hidratos de carbono, etc.”

Jung completa: “Reside aqui, sem dúvida, uma das principais fontes da qualidade feminina da alma. Mas, ao que parece, não é a única fonte. Não há homem algum tão exclusivamente masculino que não possua em si algo de feminino. O fato é que precisamente os homens muito masculinos possuem (se bem que oculta e bem guardada) uma vida afetiva muito delicada, que muitas vezes é injustamente tida como "feminina". O homem considera uma virtude reprimir da melhor maneira possível seus traços femininos. Analogamente, a mulher, até há pouco tempo, considerava inconveniente ser varonil. A repressão de tendências e traços femininos determina um acúmulo dessas pretensões no inconsciente. A imago da mulher (a alma), torna-se, com a mesma naturalidade, o receptáculo de tais pretensões; por isso, o homem, em sua escolha amorosa, sente-se tentado a conquistar a mulher que melhor corresponda à sua própria feminilidade inconsciente: a mulher que acolha prontamente a projeção de sua alma. Embora uma escolha desse tipo possa ser considerada e sentida como um caso ideal, poderá também representar a opção do homem por seu lado fraco. (Isto esclareceria muitos casamentos estranhos)”.

É óbvio que este conflito é mais complicado aos homens, pelo velho apelo cultural a que estão enovelados e ”submetidos”. Me pergunto aqui se não existe um desejo latente, prestes a explodir, de um movimento que diria, poderia se chamar Novo Masculinismo, onde os homens requereriam seu direito a uma certa sensibilidade em face à cultura e à sociedade?

8 comentários:

grasiele disse...

Quero fazer a minha declaração perante o caso da Geyse.

Sou aluna da Uniban do campus ABC, todos nós alunos do bem, também não aprovamos a atitude de nenhuma das partes envolvidas no caso da Geyse.
Pois não são só meia dúzia de alunos que estudam nesta universidade, e sim somos ao todo +/- 12,000 mil alunos na unidade ABC, somos uma cidade, e que todos nós estamos sendo julgados como animais e outras coisas mais.
Sou uma pessoa que trabalha o dia todo como a maioria dos alunos que lá estudam, pai de família, que lutam por um dia melhor, estamos sofrendo também com a discriminação da sociedade, como a Geyse sofreu por alguns alunos.
Quem vai pagar os meus 5 anos de dedicação e de esforços?
Quem vai arcar com as conseqüências dos doze mil alunos que la estudam?
Também sou uma vitima da sociedade como a Geyse, só com uma diferença, eu não fiz nada assim como os 99,7% dos alunos.
Quem é o cruel nesta historia toda da Geyse?
Os alunos que a discriminaram?
A Instituição que não tomou a devida Providencia?
Ou a sociedade que reprime e acusam quem é inocente?

Temos que lembrar que toda ação tem uma reação, sendo boa ou ruim.
Vocês acham justo uma população pagar pelos erros de outras pessoas?

Quero muito defender meu nome e o nome de milhares de pessoas que foram jogados para lama.




Infelizmente a mídia não deu oportunidade de nos defendermos, e mostraram somente o que lhe eram viável, é justo? Ou estão cometendo o mesmo erro que os envolvidos no caso Geyse ?

Psique ativa disse...

Oi Grasi,

Tudo bem?

Que bom que voce está colocando sua voz em público e dizendo que não eram todos os envolvidos no caso.
O que acho que acontece hj na mídia, realmente é tentar reparar os erros cometidos com a Geyse de alguma forma. Sempre qdo há um ato de violência, pq o que houve lá foi um ato de violência, ..., a tendência sempre é vir um rebote de igual monta para refletir o acontecido. Entao há um reflexo unilateral pró-Geyse p/ compensar o fato...

Acho que de acordo com o que vocE^falou, SEMPRE acontece nessas situações é que os inocentes tbem acabam pagando pelos culpados... Entao é importante requerer a voz e cada opiniao, como vc está fazendo aqui, para q nao fique uma luta unilateral.... Acaba que numa situação dessas, todos saem perdendo... Infelizmente.

Obrigado
Abrs

sinapseoculta disse...

Realmente o problema nao sao os alunos da UNIBAN. O que a midia e a sociedade repudia no momento é a atitude exposta(graças a deus!). É obvio que isso poderia ter acontecido na UNESP, USP etc.
Creio que o grande problema disso ter aconteceido na UNIBAN é que tal ocorrido suja o nome da instituicáo, cujo diploma passa, talvez, valer menos. A midia te dados espaco para todos os lados sim, pelo menos eu vi manifestacoes de todos os lados...
boa sorte

Fernando Chuí disse...

Oi! Não sei seu nome, mas agradeço a visita ao Fresta! Gostei das suas observações. Acho que acima de tudo, havia entre os garotos e a moça uma disputa de poder e a não aceitação do poder de sedução da fêmea - sem o "merecido castigo".
Abração,
Chuí

Fy disse...

Oi Caio,

Parabéns de novo.

Que bom perceber que as pessoas se mobilizam diante de um acontecimento tão bizarro.

Segui sua trilha e dei um pulo no blog do Chauí: nossa que mto bom, também!

Bj

Anônimo disse...
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Psique ativa disse...

Um aviso para quem visitar este blog e estes comentários: Evitem comentários maldosos. ESSE ESPAÇO É UM LOCAL DE DISCUSSÃO PARA O ENTENDIMENTO! E NAO PARA A DISCÓRDIA...
OS FATOS E COMENTARIOS RECEBIDOS FALAM POR SI SÓ... NAO PRECISAMOS DESTROÇAR AS FERIDAS...
ABRS A TODOS!
CAIO

Anônimo disse...

Agora também chegou o momento de nós HOMENS nos libertarmos dessas amarras e preconceitos!
Somos todos seres humanos livres, força e sensibilidade são virtudes adequadas a qualquer humano.

Haverá ainda um dia, tenho esperança, ainda estar vivo para ver, e poder andar de SAIA na rua e ser reconhecido: Ali está um HOMEM, HETERO E DE SAIA.

abraços a todos.