quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Miró e a Composição e Fragmentação do Eu


Miró, reconhecido pintor da Espanha, através de suas pinturas modernas, explorava sua cáustica natureza interna. E em períodos de guerra, expressava o drama, o horror, através de incríveis pinturas, cuja estética elaborava uma dor que podia assim ser diluída em cores.

Uma de suas obras, intitulada "Composição", retratou uma natureza fria, de ausência, deixando a interpretação a cargo do espectador.

Tal pintura surgiu próxima a um período chamado de "Assassinato da Pintura", na qual eram pinturas baseadas em colagens de objetos recortados de jornais, revistas.

A economia cromática realçada nesta obra especificamente pode vir a ser um apanhado de figuras distorcidas, retorcidas de um corpo fragmentado. Em meio a um fundo degradado e frio, semelhante a um Inconsciente desabitado, Miró desdenha da realidade.

Sob a influência do movimento surrealista, Miró permitia-se ao mesmo tempo ser afetado pelo surrealismo, e também se desvincular de qualquer identificação última com qualquer movimento ou postura.

Nesta obra "Composição", com o título contrastando com seu significado talvez, a interpretação vai em torno de uma fragmentação de um "Eu" perante as vicissitudes do mundo.

A Fragmentação é um conceito utilizado em Psicanálise para descrever a situação de um indivídulo perante uma divisão de sua personalidade, consubstanciando uma identidade fragmentada.

As figuras no quadro são interpostas, com membros em pedaços, figuras parecendo a ossos, machados, com um contraste de cores entre o branco, preto, e o vermelho que talvez mostra o sangue em meio a tudo.

O que queria Miró nos mostrar?

Algo relacionado a uma inteireza de um "Eu" que foi desagregado pode ser a resposta.

As particularidades de uma dissociação de tal monta é pensada na Psicanálise por alguns conceitos.

Armando Colognese Jr. em seu livro "A trama do equilíbrio psíquico", manifesta a ideia de momentos da vida de um indivíduo que são marcados por distúrbios psíquicos onde a Pulsão de Morte (conceito Freudiano, exemplo cujo objetivo desta Pulsão é desfazer ligações psíquicas) domina a Pulsão de Vida, de modo que "a Pulsão de Morte toma emprestada a Pulsão de Vida e passa a controlá-la, ou dito de outra forma, a pulsão de vida está a serviço da pulsão de morte. libidinizando-a."

Rosenfeld descreve esse funcionamento mental semelhante a uma gangue mafiosa.

Os objetos no quadro de Miró, por estarem em um período em que ele pintava de guerras e conflitos, talvez queiram salientar que para haver o Outro, tem que existir um "Eu" primeiramente. Ou mais além, significa o não enxergar o outro, por haver esse "Eu" deformado em nós mesmos. Pois nos conflitos exteriores ninguém enxerga o Outro, seu próximo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A Medida da Sublimação

Ato concreto ou proferir desejos sem objeto?
Posso as palavras aqui medir?
Ou atitude desmedida preferir?
Por favor, me diga
Quais fatos tu queres ouvir?
São ou embriagado
Sansão matou o leão pardo:
Não são palavras malditas
Palavras eruditas
São palavras ainda não ditas

Ditongo ou Tritongo
Eis a questão
Prosear frases sem tesão
É como transar sem dizer palavrão
Sublime a vida
Sublima a ação
Verter este sangue em vocábulos
Põe meu mundo em rotação


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Religião e Linguagem

Deus.
O que essa palavra significa para você?
Para você e para muitos ela significa algo grandioso, acima do bem e do mal, e uma gama muito variada de significados, dependendo dos significantes despertados, e do que cada sujeito acredita ou atribui à Deus.
Segundo o Dicionário Brasileiro Contemporâneo de Francisco Fernandes, Deus é um Ser supremo, infinito, perfeito, criador e conservador do universo, a causa necessária de tudo o que existe; Divindade.
Assim como essa palavra específica, cada palavra da nossa língua e de outras, contém uma quantidade de significações que depende do sujeito e sua subjetividade na percepção da vida e da linguagem que sempre o circundou. Cada palavra costuma denotar ou conotar algum sentido. Denotar é mostrar, anunciar por certos sinais, significar, simbolizar. É o sentido literal de alguma coisa.
Conotação é o conjunto de caracteres compreendidos na significação de um dado termo, conceito, etc. Além do sentido referencial, literal, cada palavra remete a inúmeros outros sentidos, virtuais, conotativos, que são apenas sugeridos, evocando outras idéias associadas, de ordem abstrata, subjetiva.
E em se falando de religião, tudo que aparece nela na maioria das vezes tem um sentido conotativo. Toda religião e o próprio sentido de religião tem um problema sério com a linguagem. Ou porque é rebuscada e cheia de metáforas ininteligíveis para um público “leigo”, ou porque permanece uma linguagem “agridoce” onde os conceitos permitem distorções das mais variadas e escabrosas.
Isso tudo acaba por alimentar preconceitos, não simplesmente por as religiões causarem alienação nas pessoas ditas “religiosas”, mas por causa de que as religiões possam estabelecer falsos conceitos nas cabeças das pessoas.
É preciso separar o joio do trigo.
Os textos religiosos tentam apontar o “dedo” para uma realidade que é o Desconhecido, o incognoscível. E isso é difícil, senão impossível.





Crenças e sofrimentos insalubres

Minha cabeça coroada de espinhos
Meu Deus
Não é igual à Sua
Lavagem cerebral
Não faz espuma

Brilhante é a água do mar
Que iluminada pelo Sol,
Rei maior
Não carece de pompa
Nem de erguer um altar
Desta água não preciso beber
Desta água não preciso provar

domingo, 28 de junho de 2009

A Arte da Sublimação

No pequeno recôndito da sala, o maestro delineia e imagina em sua mente e “alma” sua próxima composição. Neste exemplo de fértil criação, o artista compõe com o véu e linguagem extraídas de conhecimentos cognitivos de música, e de sua relação com sua alma e seus sentimentos, o extrato de algo que se transformará em algo “semi-palpável” de rara beleza e abstração, que entrará em contato com outras subjetividades de outras pessoas, liberando emoções, sensações e sentimentos únicos compartilhados.

Sublimar é uma Arte? Ou fazer “Arte” é sublimar?

Primeiro devemos nos perguntar o que vem a ser Sublimação e o que se desenha a partir da palavra Arte.

“Arte (Latim ARS, significando técnica e/ou habilidade) geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias de consciência em um ou mais espectadores. A arte está por todos os cantos, pois não se restringe apenas em uma escultura ou pintura, mas também em música, cinema e dança. O ser que faz arte é definido como o artista. O artista faz arte segundo seus sentimentos, suas vontades, seu conhecimento, suas idéias, sua criatividade e sua imaginação, o que deixa claro que cada obra de arte é uma forma de interpretação da vida.” (Fonte : Wikipedia)

Com o advento da Psicanálise na Cultura, a "Arte" sempre é citada como algo simbólico da Sublimação. Às vezes é até confundida com a própria Sublimação.

Freud criou a noção de Sublimação a partir da indicativa de que para existir a civilização houve a "necessidade" de sublimar os instintos.
Segundo Teresa Pinheiro, em seu artigo sobre a “Sublimação e idealização e a pós-modernidade” (http://www.geocities.com/hotsprings/villa/3170/TeresaPinheiro.htm), Birman diz que a sublimação na obra freudiana tem o "estatuto de passagem" funcionando sempre como argumento para demonstração de um outro conceito. Ou seja, Freud jamais construiu uma teoria da sublimação".
Vamos nos ater aqui nesta exposição com ênfase à questão da sublimação da pulsão sexual. A definição de sublimação dada por Freud em 1914 é a seguinte: "A sublimação é um processo que concerne a libido de objeto e consiste no fato de que a pulsão se dirige para um outro objetivo, distante da satisfação sexual; o que é acentuado aqui é o desvio que distancia do sexual".

Freud, usa a Sublimação para designar a mudança de um estado psíquico para outro através de uma “transformação” de uma certa pulsão, a pulsão sexual. A sublimação é algo simbólico de “quando se consegue intensificar suficientemente a produção de prazer a partir das fontes do trabalho psíquico e intelectual”. Segundo ele, tais satisfações parecem mais refinadas e mais altas. Como diz ele em seu livro “O Mal Estar da Civilização”, que, a intensidade da sublimação “se revela muito tênue quando comparada com a que se origina da satisfação de impulsos instintivos grosseiros e primários; ela não convulsiona o nosso ser físico”.

Diz ainda : “A sublimação do instinto constitui um aspecto particularmente evidente do desenvolvimento cultural; é ela que torna possível às atividades psíquicas superiores, científicas, artísticas ou ideológicas, o desempenho de um papel tão importante na vida civilizada. Essas pessoas se tornam independentes da aquiescência de seu objeto, desviando-se de seus objetivos sexuais e transformando o instinto num impulso com uma finalidade inibida.”

Freud, em seus raros momentos de real dúvida, fala sobre a sublimação e a pulsão sexual: “Às vezes, somos levados a pensar que não se trata apenas da pressão da civilização, mas de algo da natureza da própria função (sexual) que nos nega satisfação completa e nos incita a outros caminhos. Isso pode estar errado; é difícil decidir.”

Acredito que a atividade artística é aquela em que há um acesso controlado de conteúdos do próprio inconsciente, inconscientemente, havendo quase que uma passagem sublime de uma instância à outra.

Para Jung, que foi quase ao mesmo tempo grande afeto e desafeto de Freud ao longo de sua vida, ele não se harmoniza em relação à idéia de Freud da sublimação. No seu livro “A Natureza da Psique”, mais precisamente no capítulo “Psicologia Analítica e Cosmovisão”, Jung fala de sonhos, repressão, arte, e sintomas: “Em si, o sonho é uma função normal que pode ser perturbada por represamentos, como qualquer outra função. A teoria freudiana dos sonhos considera, e até mesmo explica, os sonhos exclusivamente sob este ângulo, como se nada mais fossem do que meros sintomas. Outros campos da atividade do espírito, como sabemos, são tratados da mesma maneira pela psicanálise — por exemplo, as obras-de-arte. Mas é aqui onde penosamente se manifesta a inconsistência desta teoria, pois uma obra-de-arte não é um sintoma, mas uma genuína criação. Uma atividade criativa só pode ser entendida a partir de si mesma. Mas se ela é considerada como um mal-entendido patológico, que é também explicado como uma neurose, a tentativa de explicação em breve assume um aspecto lamentavelmente curioso.”


Em relação à beleza abstrata da arte e de outras tantas atividades humanas, Jung remete tudo isso à uma força criadora e propulsionadora existente em todos nós. Diz ele: “Se atribuímos uma poesia de Goethe a seu complexo materno, se procuramos explicar Napoleão como um caso de protesto masculino e um São Francisco de Assis como um caso de repressão sexual, apodera-se de nós um profundo sentimento de insatisfação. Esta explicação é insuficiente, não faz justiça à realidade e ao significado das coisas. O que são, afinal, a beleza, a grandeza e a santidade? São realidades de suma importância vital, sem as quais a existência humana seria tremendamente estúpida. Qual é a resposta correta para o problema de tantos sofrimentos e conflitos inauditos? A verdadeira resposta deveria tocar uma corda que nos lembrasse pelo menos a grandeza do sofrimento.” Ainda completa: “Presenciei muitos casos em que fantasias sexuais anormais desapareceram súbita e completamente no momento em que uma idéia nova ou um conteúdo novo se tornaram conscientes, ou em que uma enxaqueca cessou inteiramente de repente, assim que o enfermo se tornou consciente de um poema inconsciente.”

Logo depois, ele fala algo que acho de maior importância:

“Da mesma forma que a sexualidade pode exprimir-se impropriamente através de fantasias, assim também uma fantasia criadora pode exprimir-se impropriamente através da sexualidade.”

Podem ser considerados atos sublimados, além da criação artística propriamente dita, o trabalho e até o lazer, por que não? O prazer obtido no lazer pode ser considerado um prazer substituto à um prazer sexual ? Acho que pode ser considerado um prazer de “ordens” ou de qualidades diferentes, assim como é prazeroso e diferente se apreciar um cheiro de um incenso, ou se comer um chocolate ao invés de uma pizza, se ouvir rock ou um bom jazz. Tudo vira uma questão de qualidades de ordens diferentes.

O ser humano é dotado de uma série de potencialidades que se desdobram da possibilidade e exclusividade única e inequívoca de se obter prazer via sexualidade. É verdade que o conceito de sexualidade para Freud tem uma conotação ampla, e não podemos nos enganar ou fantasiar sobre isso de maneira inapropriada. O próprio ato de comer pode ser considerado algo vinculado à sexualidade. Mas devemos refletir sobre o assunto e nos perguntar se não é algo profundo pensar se somos somente obra de um instinto de vida interessado apenas em nos propagar, nos remetendo sempre à necessidade sexual, como se qualquer outro prazer ou ato fosse apenas uma benesse disponível “substitutiva” para mitigar o instinto e as pulsões sexuais sempre presentes.

Segundo o psicanalista Luís Fernando Scozzafave (blog Sinapse Oculta) “A Pulsão sexual não apenas vai ser dirigida para a reprodução e para o ato sexual em si. Há a dinâmica de: 1- Encontrar o “alvo” , 2- Descarregar a energia (Libido) 3- Repouso”.
Então, essa libido ora descarregada, ora não, encontra modos de se veicular através de outros meios.

É certo que muitas de nossas ações são investidas de libido, de um certo teor vindo da sexualidade. É tudo de alguma forma erótico, um instinto de Eros. A arte é de alguma forma erótica também.

No tocante à fantasia criadora dita por Jung, quando exprimida através da arte, pode assumir uma variada gama de possibilidades. Aí vem uma pergunta difícil: O que pode ser considerado Arte?

O móvel rústico de seu quarto pode ser uma obra de arte. A invenção da roda pode ser arte. Até mesmo o modo que o vendedor de biju no trânsito arranjou para atrair seu cliente pode também pode ser arte. Isso é subjetivo. Bocato, um grande trombonista brasileiro disse uma vez de forma humilde: “Um dia espero estar fazendo arte”.

A Arte não se restringe na sua “arte final”, no seu “objeto” idealizado final. Vejamos por exemplo um belo edifício moderno projetado por um arquiteto junto ao seu engenheiro responsável. A capacidade do engenheiro fazer complexos cálculos com parâmetros extremamente racionais pode ser a fundação para uma obra de arte. Energia sublimada pelo arquiteto em sua criação, e o prédio, em seu acabamento, lapidado pela tinta misturada pelo auxiliar de manutenção, é tudo um processo. A arte ou atividade dita “sublimada” é um processo em que toda a civilização e cultura está envolvida.

Apesar disso, muito se discute o valor da arte na contemporaneidade. Talvez porque há de se temer seus conteúdos. Dizem que ela, em suas diversas expressões (música, obras, ciência, literatura, pintura, poesia, etc) é supérflua, isto é, que não existe para nossa sobrevivência. É certo que para sobrevivermos e bem, talvez precisemos de muito além de pão. Precisamos de pão e circo. Nossos “instintos” nos obrigam... Nós precisamos de sexo, carinho, amizade, sermos reconhecidos entre nossos pares, precisamos de descanso, de deslumbramento, e de surpresa. (Nosso cérebro é comprometido com a possibilidade de existência de surpresas, é inato ao ser humano essa necessidade).

Difunde-se a superfluidade da arte. Mas eu me pergunto se o verdadeiro sentido que podemos dar à vida é o de que somos todos “artistas” de alguma forma. (Quis dizer aqui, artistas no palco da vida, no sentido “bom” e amplo da palavra, não relativo a uma possibilidade inata caricatural de artista de 15 segundos de fama, ou relativo á necessidade ou carência narcísica na busca de afirmação em relação ao outro).

No nível sutil da vida, o que ocorre quase sempre é uma procura inexpurgável de se encontrar um outro, de se relacionar com o outro. De fazermos da vida um algo compartilhado.
O trabalho, como algo aferrado somente à subsistência, vira algo morno com sintomas de podridão. É preciso algo mais. E algo mais movimenta o homem em seus desejos. O vínculo ora desejado, ora rejeitado, tem como padrão a imensa necessidade de estarmos unidos, mesmo quando achamos que estamos sós.

Voltando à sublimação, os prazeres ou capacidades na vida podem ser mais simples do que se imagina. A capacidade de ver, enxergar, ouvir, pensar já pode ser considerada em seu princípio um ato sublimado ou sublimatório.

A energia instintiva para a realização da pulsão sexual é limitada em um determinado período de tempo e espaço, sendo assim, a energia psíquica é direcionada para várias atividades humanas. No fundo, a Arte tem uma conotação sexual. Tem, porque, não que seja usada como substituto da pulsão sexual... Tem conotação "sexual" porque tem o objetivo de Atingir o Outro. Faz parte do instinto de Eros, é erótico... Seria um "Nu Artístico”... Desnudar-se para o outro ver. Ou pode ser até auto-erótico se a arte ficar restrita ao olhar do criador.

Sendo o objetivo deste texto o de apenas refletir sobre o assunto, não convém chegar a conclusões finais, ou saturar os conceitos em construção.
Seguindo a pergunta inicial proposta aqui no início desta exposição, acho que todos nós “sublimamos” de alguma forma. Alguns mais, outros menos. Para finalizar, não podemos deixar de citar alguns tremendos “sublimadores” : Shakespeare, Beethoven, Paul McCartney, Fernando Pessoa, Buda, Gandhi, Ayrton Senna, Freud, Jung, etc, etc, etc...


Caio Garrido
www.caiogarrido.blogspot.com

domingo, 24 de maio de 2009

Fazer Análise - Uma experiência científica


Fazer análise, viver a psicanálise, estudar o inconsciente, ser trasnsformado por ele, transformar o inconsciente, se reinventar, tudo isso é uma experiência científica em si mesmo.

As teorias da psicanálise são algo em que podemos nos guiar para conhecer um pouco o humano e suas pendências com seus desejos.

Certamente, existem teorias científicas no mundo que podem ser demonstradas empiricamente. No caso das teorias psicanalíticas, o que emerge delas é algo mais complexo, pois elas mesmas se depõe umas contra as outras ou se complementam de alguma forma, apresentando vários nichos teóricos onde vários especialistas e analistas se reúnem em um determinado modelo para sedimentar experiências e guiar suas clínicas de acordo com alguns parâmetros condensados, para filtrar os significados e interpretações dos conteúdos e expressões do inconsciente. A Psicanálise é algo que tem que ser vivenciado em si mesmo.

Vivenciar o inconsciente na análise, nos sonhos decorrentes dela, nas rearticulações do passado no presente, é uma tarefa difícil pois envolve um encontro às vezes descomunal com o desconhecido. O desconhecido em si mesmo. Algo que sempre foi o indivíduo ou parte dele, mas que nunca verdadeiramente se apresentou a ele.

Fazer análise é ao mesmo tempo ser objeto e pesquisador de si.

Agora, ser analista é um assunto para uma outra conversa.

sábado, 28 de março de 2009

Natureza da Realidade é Subjetiva?


Para responder essa difícil pergunta é tentador buscar respostas fáceis. Para não cair nessa armadilha, e especularmos acerca deste assunto, devemos nos apropriar de conhecimentos que a filosofia já nos dá a priori.

Quanto à natureza da realidade, podemos distinguir alguns aspectos de qual realidade estamos falando e lidando:

- Realidade Absoluta

- Realidade do bem comum ou do senso comum nas relações humanas

Como diz John Lewis em seu livro "História da Filosofia", a natureza da realidade não é simplesmente o que ela parece ou aparenta: "Os filósofos, a partir de Platão, tem compreendido que as aparências são ilusórias e que a realidade é mais profunda do que o óbvio". Ele diz ainda: "Significamos, pois, por Realidade as coisas como realmente são, depois que todo erro e ilusão foram corrigidos."

Agora cabe questionarmos: Cada pessoa é diferente da outras, não existindo um só indivíduo igual a outro. Indo além, cada um tem seu próprio mundo interno e suas próprias percepções, não havendo uma Realidade Última de percepção da própria realidade que seja comum a duas pessoas de maneira total e inequívoca. Desta forma, nunca haverá de ter uma realidade comum para duas pessoas diferentes. Estaremos falando de no mínimo duas realidades distintas, indissociáveis da presença da Mente. Isto, pois, a realidade depende do fator "Mente". Desse ponto de vista, a realidade sempre será subjetiva. Se tirarmos a Mente do jogo, o que sobra? Átomos, elétrons, nêutrons, "Consciência cósmica" ?

Átomos, elétrons e a infinidade de substâncias e ondas existentes no Universo, formam o Todo, o Universo, a Realidade. Em uma experiência científica, por exemplo, ao se buscar a observação direta de um elétron e seu movimento, várias coisas foram descobertas. "O elétron é interessante, pois está sempre em movimento, sendo impossível prever exatamente onde está localizado em um determinado instante, e é como se aparecesse em um lugar e depois em outro, mas sempre ao redor do núcleo quando estável."

Na verdade, até o fato de se observar implica no resultado da observação, pois no ato de se observar, pelo menos um fóton é liberado para a observação, fato que gera um resultado não totalmente objetivo.

O Real, parece esbarrar na limitação, nos limites que encontramos em nós mesmos, para diferenciar ilusão da realidade.

Mesmo na fantasia, o mundo vai acolher essa fantasia se houver uma correta articulação dela com o real, o que é perfeitamente possível. Isto é, tornar o seu desejo fantasístico uma realidade. É óbvio que ocorre nessa passagem da fantasia em algo plausível de ser realizado na realidade em que habitamos, uma transformação, uma lapidação.

Ainda assim, a Fantasia, considerando-a como uma realidade subjetiva do sujeito, e esta realidade, apesar de subjetiva, tem uma realidade quase que intrinsecamente objetiva para o sujeito, pois é uma experiência "real" para quem a vive.

Como a indagação deste Proto-Artigo indica, dificilmente iremos nos contentar com uma resposta última ou mágica a respeito deste assunto. Devemos apenas nos questionar e refletir se a realidade absoluta ou não, tem um caráter estritamente subjetivo. Porque há uma implicação forte nesta afirmação, pois o subjetivo muitas vezes implica em "aparência" e ilusão, o que vai contra o conceito de Realidade ou Verdade Última ou Absoluta.

Se a Realidade pode ser designada como realidade comum a uma sociedade de seres vivos ou não, esta realidade vai estar atrelada à Cultura, na qual, desta mesma forma, cairá em uma Realidade Subjetiva.

Agora, se a Realidade a se conceituar aqui for a da Realidade Absoluta, austera, certamente com a limitação que nos habita, não será possível desvendar e identificar a tal realidade das causas últimas.

Para um "Mesmo Alguém" existir e detectar simultaneamente, isso implica num paradoxo.

Se por acaso me perdi nos conceitos aqui, por favor me tragam a realidade, rsrs.
Caio Garrido
Obs: Após ter postado esse texto aqui no blog, curiosamente li algo sobre Kierkegaard , que postulou entre outras coisas, que a Verdade é subjetiva. Vale a pena pesquisar...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Inconsciente Coletivo, Angústia e Criatividade


Depois de algum tempo sem escrever, ou ter algo útil a compartilhar, mexo no molho e do caldeirão saem algumas idéias que brotam da partilha de idéias de outros.

A matéria-prima da criatividade quase sempre vem de uma ponte que se estabelece entre o inconsciente e o consciente. Donald Meltzer, em seu livro "O Processo Psicanalítico", cita como exemplo a atividade analítica. Tal atividade, assim como uma atividade que tem que ser sempre ser mantida em alto nível, como à dos atletas e dos artistas virtuosos em geral, deve ser mantida sempre com uma confiança inabalável no inconsciente, assistido e observado pelo órgão da consciência.

Eu acredito que para haver tal "ponte", além de uma certa potência interna e uma disponibilidade dos conteúdos inconscientes atravessarem a psique em direção à consciência, existe uma terceira camada de eventos que deve haver para contribuir no incremento da criatividade, que seria a contribuição de outras pessoas, isto é, na coletividade , ou em grupos, equipes, surgem a matéria-prima para o desenvolvimento de novas percepções da realidade e de novas posturas frente a ela. Nessa condensação de idéias acaba se gerando insights, em termos de linguagem.

Jung confia muito no seu conceito de Inconsciente Coletivo. Por minhas percepções, apesar de muito banais ainda, e por ainda não ter um completo conhecimento da obra de Jung, e até em relação de sua obra em relação à do próprio Freud, penso que está cada vez mais claro tal concepção. Explico: Parece haver uma certa opacidade nas relações humanas nos dias de hoje. Eu estava navegando pela Internet, e observando blogs que são digamos, meio existenciais, filosóficos, e são marcados pela angústia de pessoas comuns como a gente, e estão mostrando uma tendência e uma certa presença de várias angústias comuns à várias pessoas. As formas que as angústias existenciais que tecem a vida em geral, apesar de bem diversas, parecem sempre apontar para os mesmos tipos de dúvidas. Isso organiza uma vasta rede de pensamentos comuns a todos que pode muito bem designar o que Jung ditou como Inconsciente Coletivo. A "evolução" ou involução pela qual passamos pode muito bem estar no mesmo estágio.

Aonde eu quero chegar? Primeiro, que nada vem de si próprio somente. Qualquer forma de expressão, linguagem ou ato em geral, vem de certa forma de outrem. E indo além, vem do inconsciente coletivo.

Além disso, para a criatividade atingir a si mesmo e possibiltar sua expressão, deve ultrapassar as resistências vindas da angústia e ultrapassar outros sofrimentos psíquicos.
Caio Garrido

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Madame Obama: Um novo modelo de inveja para o mundo?


É incrível e indescupavelmente devastador como a mídia e a mente coletiva da sociedade, de tempos em tempos, catalisam idéias e as distribuem como verdade camuflada do que há de honesto e verdadeiro. Pegam uma figura como o “New President of the USA” e usam a imagem de sua esposa, a primeira dama, como um chamariz mais intenso que o próprio Obama para se tornar a nova discussão e a nova queridinha do momento. Por que o fazem?
Há uma espécie de realização de um desejo perverso de mão dupla na sociedade, onde o “povo” aparentemente associa a imagem da figura feminina da primeira dama dos EUA, onde a forma, a aparência veiculada se torna um novo modelo, tornando tudo que veio antes obsoleto, e como um ato refratado, os atributos da Mulher em questão são usados de forma arcaica para satisfazer a Inveja que passa quase desapercebida a todos.


Qual será a nova figurinha do cardápio? Quem sabe não será você??!


Caio Garrido

sábado, 13 de dezembro de 2008

Conhecimento, Verdade e Sabedoria


Na busca do conhecimento o ser humano se envolve e se enreda numa gama estreita de soluções, previsões e vacilos.

Muito se questiona sobre o que é mais importante ou útil nos dias de hoje, o Conhecimento ou a Sabedoria ? Essa dialética nos leva a um desdobramento utilitário para nós mesmos no dia a dia. Como seria isso? Nós usamos como carta coringa no nosso coloquialismo cotidiano a arma que mais for conveniente ao nosso momento, ou seja, se o Conhecimento nos é apresentado como dignificado de Verdade e significado para enfrentar uma dinâmica ou acontecimento difícil na nossa vida , usamos o Conhecimento e acreditamos que ele seja a solução dos problemas. Agora se em determinado momento a questão da Sabedoria, implícita nos pontos intuitivos de nossa mente se apresenta como solução imediata, imediatamente descartamos o Conhecimento como base evolutiva e acreditamos que a Sabedoria seja a Verdade sábia.

Na busca de um questionamento verídico sobre o assunto, muitos filósofos pontuam um posicionamento sobre o assunto. Um deles , o filósofo Luís Felipe Pondé apresenta em suas palestras e articulações uma restauração muito clara de um Mito que toma conta da sociedade Pós-Moderna de hoje: ele fala na Utopia Moderna da busca do conhecimento, e que o homem de hoje vive o luto dessa utopia, e usa como exemplo o Mito da Torre de Babel.

Através do conhecimento, da ciência e de seus "refratários", a própria Busca se emoldura em uma sensação de eterna falta, pois as coisas vão tomando tal forma que os conteúdos conhecidos abstraídos na busca do conhecimento se tornam incoerentes entre si. A busca pelo conhecimento e o próprio conhecimento em si mesmo, a chamada "Arte pela Arte", incorpora um "playground" interno, é como se fosse uma brincadeira de criança, uma dança com as palavras , com os conceitos.

A Sabedoria parece apresentar um diamagnetismo, isto é, parece repelir um pouco essa tentativa consciente de busca da Verdade pelo Conhecimento. Isso se desenha e é revelado pelo que e por onde as pessoas buscam a obtenção da sabedoria. Procuram buscar a sabedoria de diversas e intensas formas como a Meditação e outros terrenos ardilosos. Já tive provas suficientemente concretas de que é possível obter benefícios e obter transformações na própria vida através do rescaldo da meditação profunda e transcendental, mas como tudo na vida, se não há um regar da paisagem estética da mudança interna, a mudança não se sustenta. Assim como numa Análise Psicanalítica a mudança só se sustenta por via de uma verdade interna profunda reestabelecida inconscientemente e com uma postura pró-ativa de se sustentar a 'evolução".

O homem parece ter uma oportunidade ou mesmo uma utopia, que advém de que, como ser vivente que estabelece uma dialética paulatina com a própria Vida, é o único tipo de vida aparentemente sustentável no Universo _ (aquela parte do Universo que conhecemos) _ , que pode tentar entender e buscar o significado da própria Vida. A chamada autoconsciência.
Será isso Verdade ou somos apenas cobaias do Universo? rs...
Caio Garrido

domingo, 23 de novembro de 2008

Com o que sonham os pássaros ?


Eis que me pergunto se os pássaros sonham. Nesse mundo do pássaro, ele vive de certa forma dissociado de todo esse maligno conceito bem x mal. Vive na sua benigna condição animal. Provavelmente eles vivem seu “sonho”. Sonhar com o abstrato, com o objeto perdido é coisa para os humanos. Não posso afirmar nada sobre o imaginário dos pássaros, talvez sejam como o de uma criança. Eles parecem diferenciar muito pouco a divisão entre o “eu” e o outro, demonstram uma certa afeição pelos homens, mostrando as possíveis potencialidades de seu imaginário “colorido” e ativo. Podemos dizer até que a pergunta inicial proposta aqui, soe um pouco inocente, tão quanto àquela já conhecida: “ O que querem as mulheres?”. Ora bolas, é impossível delimitar e designar a partir de um só ser a complexa e diversa experiência de um conjunto se seres viventes.
Mas com que sonham os pássaros?
Certamente eles vivem o maior sonho dos homens : Voar !


Caio Garrido

sábado, 22 de novembro de 2008

Onde está o monstro?


Estou convicto que todos nós, que todo ser humano tem um "monstro" dentro de si mesmo. A questão é o que encaminha, desencaminha ou restringe essa Coisa... É a capacidade de resiliência de cada um lidar com sua própria dor, agressividade, anseios, e volatilidade de seus desejos. Alfinetar o mal que se vê no mundo é uma maneira de não enxergar verdadeiramente. Evidentemente que o “mal” não é o caminho, mas é preciso conhecer e reconhecer o mal. Como ele surge, de que ausência ele surge. A ausência como sensação, sentimento ou ilusão, pode ser sentida como uma privação que o indivíduo tem de suportar durante a vida. A ausência de um “objeto” desejado pode se diferenciar de várias maneiras: O “objeto perdido” pode significar um vazio exponencial para o indivíduo. Já quando um “objeto” desejado existe, e é reconhecido como tal, e sua necessidade não é realizada, poderia se dizer que a presença deste objeto faltante no psiquismo do indivíduo não é uma verdadeira ausência. A ausência real talvez seja quando não exista um objeto desejado pré-estabelecido, isto é, num campo onde a pessoa não consiga elencar o seu desejo, ou simplesmente há um desejo de desejar algo. Mas o que mais pode trazer angústia e desamparo podem ser tanto a privação ou uma forte ruptura de relação, descontinuada, como uma mãe que deixa seu bebê após o parto. Quando a raiva, o desapontamento, a impotência em relação ao mundo está dentro da pessoa, isso tudo pode ser projetado para os outros gerando uma série de destrutividade intensa e generalizada. Cabe a uma certa esperança de um resto de afeto, que se organize e repare a situação indesejada, e transicione para um outro patamar de ligação emocional e que se conecte à novos vínculos.


Caio Garrido

domingo, 2 de novembro de 2008

Natureza Morta

"A Natureza chora por você". Sem telhas e indefesa, a natureza procura se proteger. Para se propagar, a natureza se utiliza da energia vital e se recria a todo instante. Entre três orquestras vitais e opostas, entre o céu, a terra, e os homens, a natureza situa-se num vasto campo sutil de diferenças harmoniosas, contrastantes, que se configuram nas plantas, árvores, espécies, que se auto misturam e se envolvem o tempo todo. A doença "homem" se espalha e mancha o céu, meche na terra... Desvirtua o espaço e marcha perante o nada. Essa experiência biológica chamada Homem, não será a somatização da natureza?

Caio Garrido

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A insuportabilidade do "quase"


Implicados na realização de um desejo, no viés crítico que podemos dar a isso, existe instintivamente em nós, uma camada inconsciente de devires, porquês pré-estabelecidos, e pré-conceitos. Quando algo não dá certo, uma "porta" nos é fechada, uma palavra não compreendida, um desejo não realizado, paramos naquela placa : "Quase"!


Como seres desejantes , condicionados, e de desejos também amplamente condicionados, o "quase" nos dá uma sensação não distante de que algo muito desejado nunca vai acontecer, ou de por termos estado tão próximos da realização e não termos chegado lá, aflora uma angústia relativa à sensação de que não fomos criados para realizar dado desejo ou objetivo. Ainda uma outra situação pode-se desencriptar disso tudo , que é a criação de uma fantasia inconsciente de que é melhor não conseguirmos mesmo.


Isso e muito mais torna o "quase" muitas vezes a pior das hipóteses. É preciso imaginação, percalços no caminho certamente acontecem, mas desenrolar o asfalto é algo que cria caminho, abre espaço, pois o "asfalto" pode não estar lá ainda.




Caio Garrido

sábado, 18 de outubro de 2008

“Leitura” das bases da teoria de Freud







Pode-se dizer que Freud, estimulado pelas descobertas sobre a libido e teorias da sexualidade e do inconsciente, usou a Teoria da sexualidade como “espelho” para uma Teoria da Energia Psíquica ?
Luís Augusto T. Morais

Televisão; Máquina de destruição em massa


Televisão: Máscara do povo.


Máscara: latim mascus ou masca = "fantasma", ou no árabe maskharah = "palhaço", "homem disfarçado" ; Caráter enganoso, disfarce.


Povo : Massa quântica iludida.


Massa: Mero adereço significante da concentração explícita de verdades não elaboradas e não questionadas. Mentes mutiladas.
Caio Garrido

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Repressão da Sublimação

O sublimar como ato criativo é fundamental para a saúde e boa disposição diante do mundo. No tocante do inconsciente, a repressão atua frente aos instintos. No ato civilizatório, o homem deixou de exercer grande parcela de seus instintos para se tornar um complexo ser social. A sublimação se tornou a consequência inevitável dessa nova constituição e evolução. É de se notar nos dias de hoje uma grande dificuldade das pessoas de se permitirem o florescer de suas capacidades e criatividades. A pergunta que quero deixar aqui é da ordem do caminho da libido. A libido em sua forma mais descatexizada pode tomar rumos os mais diversos possíveis na vida. Uma repressão de um objetivo de vida, de um desejo, da criatividade ainda nem descoberta não poderia ser tão prejudicial quanto à repressão contínua dos desejos sexuais não empreendidos ou desenvolvidos? A tal individuação já tão citada por Jung e outros pensadores, merece uma atenção melhor da parte de todos.

Caio Garrido

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Sedução..


O Inconsciente sedutor entra em jogo a todo momento. Nos sonhos , a sedução aparece de forma velada, aberta a sabores e dissabores do inconveniente das tramas psíquicas.

Numa sedução homem-mulher, exemplificando, o ser sedutor atrai a atenção e o foco para o objeto da sedução que em si pode ser muitos. Isso acontece em um campo variado de emoções e moções onde ocorrem movimentos nesse interjogo de uma certa censura-desvelamento-censura. A censura aparece na sedução como atrativa ao ser desejado ou desejante em sua forma oblíqua, porque a censura oferece um poder revelador de certas partes do "eu" e suas qualidades verídicas ou não, onde a pessoa ao mesmo tempo mostra, mas também oculta. Essa é a beleza da sedução e do campo onde se pode potencializar o desejo e o amor momentâneo.

No campo do inconsciente, a censura exerce papel preponderante e discriminante na revelação das partes ocultas do desejo inconsciente. Isso aparece tanto nos sonhos como no dia a dia dos indivíduos. Os sedutores dos tempos modernos se atém ao corpo, mas não vêem que estão ocultando de si mesmos, um tesouro perdido a tempos, que está dentro de cada um. O bom , o belo, a "beleza", ou seja lá o que for, está escondido. E é bom que seja assim. Nem tudo deve ser dado, ou notado a claras vistas. O que é bom está oculto.


Caio Garrido


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Objetos externos e internos

De que modo se resolve a existência de objetos externos a nòs?
Os objetos, sejam eles quais forem, tem vida, vida psíquica.
Por exemplo, para um médico, um bisturi é algo sagrado, vívido, contínuo de seu próprio corpo e criação, mas para outra pessoa é apenas um objeto que não faz parte de sua vida.
Pegamos outro exemplo: Um instrumento musical como a flauta. A flauta necessita de ar, com uma certa de aplicação de força nesse ar, algo com um vento, que passa no espaço que fica por dentro do instrumento. A música existe a partir de várias situações que são ativadas em conjunto nesse momento. Pensando um pouco mais a frente, o aparelho dos sentidos Audição é necessário para se aferir a existência da música. Para a Visão, pegando esse aparelho dos sentidos independentemente, o objeto e sua execução não existe para ele.
No momento que a música é escutada ela existe. Ela existe somente na medida em que existe na mente da pessoa. Só assim a ela é dada forma e significado.
Na verdade tudo que vemos, sentimos, e significamos é algo vivo, a partir da pré-condição de que nada é independente por si só.

Caio Garrido

sábado, 13 de setembro de 2008

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O Inconsciente não existe (!) (?) (...) (rs)

Tive esta idéia a noite, após um sonho, . (É óbvio)
O Pensamento; Consciência; O que vem a tona é parte do mistério. O que está abaixo da superfície é parte do mistério.
O que desejamos em uma análise freudiana, sempre é nos pegar em flagrante, e dizer: Ahã! É isso, então!
O pensamento vem em ondas como no mar. Se algum cientista tentar um dia provar aonde está o inconsciente, simplesmente não vai conseguir. Não é eu que estou dizendo, é óbvio que isso todo mundo já deve saber.
Mas já repararam nos seus pensamentos dentro do sonho? Comece a perceber o que você pensa dentro do sonho. O que você seleciona para pensar durante as estórias criadas na sua mente durante e dentro do sonho?
Existe o Inconsciente dentro do Inconsciente?
Isso já é suficiente para fazer pensar.Um abraço e até a próxima bobagem!


Caio Garrido

domingo, 31 de agosto de 2008

Sociedade Humana Castrada ?

Será que o homem, como animal humano , ou humano animal, é capaz em sua rede instintual de evoluir para algum ponto que não o ponto absorto que está à sua própria sorte ?
O que quero tentar dizer aqui? Assim como ouvi uma vez em uma entrevista da Marília Gabriela , onde a certo ponto da entrevista ela disse que o desenvolvimento do ser humano bateu na trave... Concordo com ela...
Qual seria um caminho evolutivo que propiciaria uma melhor relação do homem consigo mesmo e com a sociedade em geral ?
Os instintos são a base da vida e da sobrevivência, mas também são a base de inúmeras neuroses e diversos males que assolam os indivíduos. O que Freud, Darwin, e outros poderiam indicar como possíveis esferas evolutivas para a mente, para uma melhor adaptação humana à luz do prazer, sobrevivência e permanência nesse planeta, sem esse instinto auto-destrutivo atual ?
Uma liberação sexual ainda maior ? Uma possível mudança cerebral na evolução dos indivíduos nas próximas centenas, milhares e milhões de anos , compreendendo uma nova capacidade civilizatória que teriam em seu aparelho psíquico uma fonte de prazer interno maior,com maior estabilidade entre mundo externo e mundo interno?
Os pensamentos podem ir longe.
É possível criar um novo mundo externo, mas o mundo interno em seu caráter evolutivo só pode ser objeto de intermináveis elucubrações e suposições de um estado mais utópico de ser.

sábado, 30 de agosto de 2008

INCONSCIENTES

A existência do inconsciente pode ser dita como uma grande imperfeição humana. Mas também é uma das mais coisas mais espetaculares, intrincadas, e belas , produzidas pela natureza humana. O inconsciente tem uma natureza de imperfeição à medida que transporta para nossa vida diária uma certa opacidade para o desejo que nos devora por dentro. Não temos saída... Ou elaboramos seu conteúdo, ou exercemos a livre e espontânea pressão do inconsciente com espontaneidade e loucura. Talvez a tarefa mais humana, e a mais difícil delas, atual e necessária, seja a de atravessar esse rio de inconsciência, para que sejamos livres e nos tornarmos mais aptos e totalmente responsáveis por nossos atos, e deixemos de sonhar acordados, para enfm viver. Mas Como ?

Caio Garrido

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A Dialética da Criatividade

Inauguro aqui esse Blog ou projeto do mesmo, pois não sabemos o quanto ele poderá sobreviver, já que no âmbito da velocidade da informação, temos pouco tempo e muita coisa a ser descoberta....
Começarei falando um pouco sobre a Criatividade. Onde estará ela?
Um nível bom de molestação das palavras só pode ser atingido no âmago do que podemos dizer:
Através da inspiração.
Fato este só obtido ou recuperável dentro de nós mesmos através de uma faceta inquestionável que arde internamente... Efetivamente superposta e subordinada à liberdade !
Liberdade que vem da coragem, que vem da liberdade de deixar idéias fluirem, coincidirem, se inter-relacionar, se confundirem, e ..........